Casamento surpresa: a noiva só soube da festa seis horas antes
Celebração foi a forma que o advogado Alexandre encontrou para declarar seu amor para a jornalista Edna
Alexandre planejou todo o casamento sem que Edna soubesse
Syrleide Jacobina/Divulgação
Adriana Victor
Como se conta o amor? Para Edna e Alexandre as contas do tempo não seguem a mesma lógica do sentimento que os une. Eles completam, nesta maio em que se celebra o Mês das Noivas, 10 anos e três meses e, ao mesmo tempo, apenas três meses de casados. No dia 11 de fevereiro, depois de 10 anos de união pela regra da lei e papel passado, ela soube que se casaria de novo – e dali a poucas horas. Vestido, cerimônia religiosa, festa, decoração, amigos, bolo, doces, bebidas, música. Ela não sabia de nada, ele cuidou de tudo.
Era uma manhã de sábado. Edna Nunes, 48 anos, recebeu um buquê de rosas de Alexandre Albuquerque, 43 anos, para celebrar data importante: havia 10 anos que eles tinham se casado em um cartório da Zona Norte do Recife, depois de já viverem juntos por algum tempo. Em fevereiro de 2007, ele convidou: “Vamos ali, nega?”. O ali era o cartório; o compromisso era o casamento civil. “Na época, nem aliança tivemos”, recorda-se Edna..
Fevereiro de 2017. Ela estranhou as rosas – era a terceira vez que recebia flores. “Não sou romântico”, admite Alexandre. Depois do café da manhã, tarefas do dia de folga do advogado e da jornalista. Ela quis dar um jeito na casa. Pediu que ele levasse o cachorro para curativos necessários e aproveitasse para cortar o cabelo. Lá se foi Alexandre. Mandou uma mensagem pelo celular: “Agora eu só vejo você no altar”. Mas ela nem chegou a ler.
“De repente, minha mãe – que estava especialmente ansiosa – minha sobrinha e minha irmã chegaram na minha casa”, conta Edna. “Levaram um tablet com um vídeo onde um monte de gente querida falava de mim. Achei bonito, me emocionei.” Mas confessa que não entendeu muito o sentido daquele vídeo: “Menina, você vai se casar”, revelou Lilith Perboir, a sobrinha quase filha de Edna e aliada do tio na preparação da festa. “E é hoje o seu casamento.”
SEIS HORAS
Da notícia à festa foram seis horas: primeiro chegou o maquiador. O vestido já havia sido comprado por Lilith. “Pedi que ela acompanhasse a mim e à minha amiga, Aline, que iria se casar, na prova do vestido de noiva. Isso era normal pra tia Edna, que fez a mesma coisa quando eu me casei há um ano”, conta Lilith, também jornalista. Edna provou um, gostou e saiu da loja sem saber que aquele seria o seu vestido de noiva.
Lilith também ajudou, com afeto de sobra e conhecimento de causa, a montar toda a festa, já que tinha ainda os contatos de seu casamento. Aproveitava as dicas que Edna deixara escapar ao longo do tempo: não gostava de vestido tradicional, adorava dança em festas, detestava a atuação de cerimonialista “aquela mulher de preto dizendo o que a gente tem que fazer”.
E foi tentando dar forma às vontades de Alexandre: “Primeiro, ele disse que queria fazer um jantarzinho. E foi se empolgando, foi aumentado e decidiu fazer casamento mesmo”, revela a sobrinha. “No caso da gente, o tempo ajudou muito. Um sabe do que o outro gosta”, justifica-se o advogado. “Talvez ela não fizesse isso pra mim, gosto menos de festa do que ela. E eu tinha certeza de que ela iria gostar.” E completa com uma lição de bem querer: “Pra gente saber do que o outro gosta basta prestar atenção”.
E foi tentando dar forma às vontades de Alexandre: “Primeiro, ele disse que queria fazer um jantarzinho. E foi se empolgando, foi aumentado e decidiu fazer casamento mesmo”, revela a sobrinha. “No caso da gente, o tempo ajudou muito. Um sabe do que o outro gosta”, justifica-se o advogado. “Talvez ela não fizesse isso pra mim, gosto menos de festa do que ela. E eu tinha certeza de que ela iria gostar.” E completa com uma lição de bem querer: “Pra gente saber do que o outro gosta basta prestar atenção”.
Alexandre e Lilith iam ajustando detalhes sem que Edna desconfiasse. “Todas as mulheres do mundo poderiam desconfiar. Tia Edna, não”, afirma Lilith. “Quando a gente se casou, não teve celebração. Acho que fez falta pra ela e quis aproveitar a simbologia dos 10 anos”, admite ele. “Nunca alimentei o sonho de me casar, mas estou muito feliz”, assegura Edna. “Foi uma surpresa atrás da outra.”
A FESTA
“Casamento é fazer alguém feliz”, disse ele, num discurso planejado. “Eu quero que você saiba que eu digo sim pra tudo o que você quiser. Porque é a minha forma de dizer o tanto que eu amo você”, respondeu ela de supetão, num discurso improvisado. “Eu quero dizer que ele foi um homem feito sob a medida de Deus pra mim. E Eu fico me perguntando se eu mereço tanto.”
A chuva havia parado assim que Edna pisara no local da festa, num condomínio em Moreno, no Grande Recife, onde os dois constroem uma casa. O vestido ficou um pouco largo – abria-se o tempo todo – e um pouco comprido.
A chuva havia parado assim que Edna pisara no local da festa, num condomínio em Moreno, no Grande Recife, onde os dois constroem uma casa. O vestido ficou um pouco largo – abria-se o tempo todo – e um pouco comprido.
A emoção veio com a visão dos convidados: “Quando vi as pessoas, comecei a ficar chocada, me impactou”, diz Edna. Amigos que vieram de Fernando de Noronha, gente da faculdade, a família: eram 150 convidados. Dodi, o cachorro do casal, também foi à festa. “Era uma boa surpresa atrás da outra. Segurei minha emoção pra viver aquele momento. Ou então eu ia só chorar”, conta ela.
GALERIA DE IMAGENS
Alexandre admite que tinha medo, certas vezes, de dar errado. “Várias pessoas questionaram a minha atitude.” Mas a maior preocupação, no entanto, era se a emoção da surpresa poderia prejudicar a saúde dela, que já enfrentou cinco cirurgias no cérebro. E cá está, firme, forte e feliz.
De cabelo cortado como Edna havia recomendado pela manhã sem saber que se casaria naquele dia, Alexandre seguiu, em seu discurso de casado, dando lições de amor: “Eu vejo o casamento não como uma oportunidade de sermos felizes, mas de fazermos alguém feliz”, declarou na festa. “Vejo o amor dela todo dia no café da manhã servido na cama – passados mais de 10 anos eu ainda tomo café da manhã na cama. Esta festa também é uma forma de, renovando esse voto de fazê-la feliz, fazer a festa que ela queria, que os mais próximos queriam. Também é uma oportunidade de fazê-la feliz. Eu não sei fazer café da manhã, mas sei fazer festa.”
A lua de mel foi a quatro: Lilith e o marido Gilberto foram com Alexandre e Edna para Fernando de Noronha. Juntos comemoraram o sucesso do casamento surpresa e celebraram, muitas vezes, o amor.
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