segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Shahed

Novo governo de união nacional toma posse na Tunísia


AFP
Novo governo terá de fazer frente à crise econômica que a Tunísia atravessa / Foto:AFP PHOTO / HO / PRESIDENCY PRESS SERVICE
Novo governo terá de fazer frente à crise econômica que a Tunísia atravessaFoto:AFP PHOTO / HO / PRESIDENCY PRESS SERVICE

O governo de união nacional de Yussef Shahed tomou posse oficialmente nesta segunda-feira (29) e terá de fazer frente à crise econômica que a Tunísia atravessa há cinco anos, depois de sua revolução.

A cerimônia marcou a passagem de poder entre o primeiro-ministro mais jovem da história moderna do país, 40 anos, e seu antecessor, Habib Esid, 67 anos.

"Espero que este governo dure. O pior para este país é uma mudança de governo a cada ano", declarou Esid.

Shahed, um liberal do partido Nidaa Tounès, fundado pelo presidente Beji Caid Esebsi, é o sétimo chefe de governo nos últimos seis anos desde a revolução tunisiana da Primavera Árabe.

O governo de união de Yussef Shahed  obteve a confiança do Parlamento na sexta-feira (26) à noite por uma ampla maioria.

Dos 217 deputados da Assembleia dos Representantes do Povo (ARP), 167 votaram a favor do novo gabinete, 22 foram contra, além de cinco abstenções, totalizando 194 presentes.

Com 26 ministros e 14 secretários de Estado, o gabinete mostra um aspecto rejuvenescido e feminizado, com integrantes procedentes de vários partidos.

Mas o governo enfrenta um panorama complexo: crescimento econômico fraco, déficit fiscal inquietante e pobreza e desemprego persistentes.

Estes temas provocaram em janeiro passado os maiores protestos desde a revolução de 2011, deflagrada pelos mesmos problemas e que levou à queda do ditador Zine el Abidine Ben Ali.

Em 3 de agosto, o presidente Beji Caid Esebsi encarregou Shahed de formar um governo de unidade nacional, depois que o primeiro-ministro Habib Esid recebeu um voto de censura no Legislativo.
Cinema

Sonia Braga vai ao Festival de Gramado à bordo do sucesso de 'Aquarius'


Por Luiz Carlos Merten, da Agência Estado
Atriz Sonia Braga está deslumbrante em filme de Kleber Mendonça Filho / Foto: Divulgação
Atriz Sonia Braga está deslumbrante em filme de Kleber Mendonça FilhoFoto: Divulgação

Gloriosa! Sonia Braga veio à serra gaúcha para receber a homenagem do 44.º Festival do Cinema Brasileiro e Latino. Na sexta, 26, ela recebeu o Troféu Oscarito, pela primeira vez entregue a uma mulher. Na sequência, passou, como filme de abertura, Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. No seu discurso de aceitação, que não houve - o protocolo foi atropelado talvez por atraso -, ela gostaria de ter dito que o filme de Kleber chegou para ela como uma mensagem numa garrafa. "Como mulher, artista e cidadã, estava num momento em que queria dizer coisas, em que precisava dizer, e o filme de Kleber me deu as palavras", ela disse ao repórter.

Sonia, de 66 anos - repetidas vezes esclareceu que é de 1950 -, está mais bela que em Cannes, quando houve seu encontro anterior com o repórter, na apresentação de Aquarius no maior festival do mundo. Qual é o mistério que faz com que essa mulher, a despeito de rugas inevitáveis - e que não esconde -, esteja tão esplendorosa? "E não é?", ela concorda. Mas não sabe explicar. Só sente. O repórter lhe conta - gostou tanto de Gabriela, o musical que João Falcão adaptou do livro de Jorge Amado, que sentiu necessidade, mais que vontade, de voltar ao romance famosa. E o leu no avião para Porto Alegre, na van para Gramado. E aí, de repente, eis que a própria e definitiva Gabriela está diante dele.

Quando o amado Jorge descreve a volta de Nacib para casa, como ele contratou a retirante coberta de sujeira, há algo de mágico na descrição do escritor. Gabriela banhou-se. Os cabelos grudentos avolumaram-se, e pela posição em que ela dorme o vestido revela a coxa que entontece o árabe. Amado descreve Gabriela, mas já era Sonia. A atriz colou à personagem. Sonia, faça uma viagem no tempo, como foi seu encontro com Jorge, ainda no tempo da novela? "Lembro direitinho. Houve uma coletiva na varanda da casa dele. Jorge eu juntinhos, colados na rede. A primeira pergunta dos jornalistas - 'Porque você quis Sonia para ser Gabriela?' E Jorge - 'Porque ela é minha amante.' E ele riu, um riso gostoso." O repórter aproveita a deixa de uma coisa que Sonia disse na coletiva de Aquarius, falando de José Wilker, o inesquecível Vadinho. Jorge Amado, Wilker, este ano morreu Hector Babenco, que a dirigiu em O Beijo da Mulher Aranha. Como é a relação de Sonia com seus mortos? Ela é nostálgica? Tem saudade dos que se foram?

"Não, porque os carrego comigo e, de certa forma, permanecem vivos. Minha mãe, por exemplo. Foi a costureira que fez os vestidos da Mulher-Aranha. Então, com sua criação no filme, ela estará sempre viva." E os olhos de Sonia brilham. Duas vezes indicada para o Globo de Ouro nos EUA, duas vezes vencedora do Kikito de Gramado - melhor atriz, por Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, em 1981, melhor coadjuvante, por Memórias, de André Klotzel, em 2001 -, Troféu Oscarito em 2016, é muito estranho ver Sonia dizer que não é atriz. "Não cursei academia, não tive formação clássica.

Sou uma pessoa que depende do diretor, e o Kleber é ótimo." Cheio de dedos, o diretor lhe disse, ao formular o convite, que queria formar seu elenco com profissionais e não profissionais, e ela teria de contracenar com os segundos. "Ótimo, porque também não sou atriz." Sonia conta rindo. Quando Sonia Braga está na telas, ninguém desgruda o olho. Na sala da coletiva, no canto em que conversa com o repórter. É magnética.

No tapete vermelho, então... Gramado montou este ano telas móveis no palco do Palácio dos Festivais. Pelo telão, os espectadores dentro da sala seguiram sua longa caminhada pelo tapete vermelho. Os demais telões exibiam imagens de seus filmes emblemáticos - Dona Flor e Seus Dois Maridos e Gabriela, duas personagens 'amadianas', de Bruno Barreto; Tieta do Agreste, uma terceira heroína de Jorge Amado, de Cacá Diegues; A Dama do Lotação, de Neville D'Almeida; Eu Te Amo, Memórias etc. Num depoimento gravado, Cacá diz que a câmera ama Sonia Braga. E nós, seu público, a vemos mover-se, hipnotizados. O cabelo em trança, o vestido que modela o corpo, modelito by... Sonia Braga Poderosa, serena. Nem parece que a semana havia sido tão febril, como definiu Kleber Mendonça. Desde o protesto da equipe do filme em Cannes, denunciando o 'golpe', Aquarius tem estado no centro de uma polêmica. A impropriedade do filme até 18 anos, decretada pelo Ministério da Justiça, gerou réplica e tréplica. Seria (é?) represália? Sonia ironizou. "Deve ser porque tem tubarão, para proteger criança na praia." O ministro da Cultura, Marcelo Calero, e o secretário do Audiovisual, Alfredo Bertini, estavam no público que viu Aquarius em Gramado. O ministro foi chamado, aos gritos, de 'pelego'. A temperatura recrudesceu. Não basta mais gritar "Fora, Temer!". Alguém radicalizou - "Morra, Temer!"

O Brasil está dividido. "Em Cannes usamos nosso direito de cidadãos de manifestar inconformidade", resume Sonia. Desde o início, a equipe estava decidida a fazer alguma coisa. "Não sabíamos exatamente como faríamos (o ato), mas cada um vinha com seu sentimento individual. Foi um ato de democracia", Sonia disse na coletiva. Para diretor, nem foi um ato, mas um gesto. As reações foram viscerais, a favor e contra. Aquarius, que estreia na quinta, 1º, é sobre o amor de uma mulher por sua cidade - Recife -, sua família. É um filme político - Clara, a protagonista, enfrenta o poder econômico -, mas a política é meio invisível, subordinada ao humano.. Ninguém está recuando. "Sonia chegou a dizer que nunca é demais repetir que é golpe. "Criar esse precedente foi um crime."

Sem glamour

E ela admite não entender porque, ao contrário do esporte, tanta gente seja renitente em reconhecer que artistas também representam o País. "Eu estou sempre representando o Brasil, não apenas no tapete vermelho de Cannes. Amo meu País e quero o melhor para todos nós." O que ela não entende - aceita? - é essa necessidade de vincular o artista ao glamour. Interpretar é ofício, como disse Tony Ramos, homenageado no sábado, 27, com o Troféu Cidade de Gramado. A própria homenagem a Sonia na abertura do festival fugiu um pouco ao protocolo porque, em geral, o Troféu é entregue mais tarde, com o festival andando. Não faria sentido apresentar Aquarius na abertura e homenagear Sonia na terça ou quarta, como de hábito. Nem seria possível. "Estou voltando a Nova York porque na sexta, dia 2, tenho um dia de filmagem na nova produção de John Turturro, Going Places."

Logo em seguida ela emenda com outro dia de filmagem, e dessa vez numa produção com Sonia Braga, Wonder. "Acho que nem vou cruzar com ela no set. Faço a mãe de Julia, que está tendo problemas com a filha e minha cena é com a garotas, que busca amparo na avó." Pequeno, grande, não importa o papel. O importante é o prazer de fazer. "Não vejo esse ofício como uma coisa angustiante, mas prazerosa. Sou do tipo que faz tudo no set. Gosto da vibração, do entusiasmo, das pessoas. Por isso mesmo acho que vou ter dificuldade para me distanciar da equipe de Aquarius, porque foi um dos sets mais felizes e integrados que frequentei." Maeve Jinkinks, que faz a filha de Clara/Sonia no filme, deu um depoimento dizendo que Sonia não tem nada de estrela. "Ela se desmistifica para ficar mais próxima da gente", disse Maeve. O repórter de novo aproveita a deixa. Sonia virou mito sexual no imaginário do homem brasileiro. Objeto de desejo de toda uma geração - de gerações. Alguma vez o mito inibiu os homens em que ela esteve interessada? Sonia teve de desmistificar-se? "Como assim?", ela indaga. A pergunta que não quer calar - alguém falhou com Sonia Braga na cama? "Ah isso. Com quem chegou na cama, nunca. Mas você vê, eu converso muito. Sou boa de descontrair." Receita de Sonia.
Homicídio

Ex-presidiário é morto a tiros na saída de bar em Cupira


NE10 Interior
Crime aconteceu na Rua Moacir Soares, bairro Mutirão, em Cupira / Foto: reprodução/TV Jornal
Crime aconteceu na Rua Moacir Soares, bairro Mutirão, em CupiraFoto: reprodução/TV Jornal
Um ex-presidiário foi morto na noite desse domingo (28) na Rua Moacir Soares, bairro Mutirão, em Cupira, no Agreste de Pernambuco.

De acordo com a Polícia Militar, Adeilson José da Silva, 34 anos, foi atingido por seis disparos de arma de fogo, um no braço esquerdo, dois na coxa esquerda, um no rosto, um no pescoço e um nas costas.

O suspeito de cometer o crime teria seguido o homem na saída de um bar. O corpo foi levado para o Instituto de Medicina Legal (IML). O caso será investigado.

Ainda segundo a polícia, a vítima já havia sido presa por porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e roubo.
Encontro

Papa conversa com fundador do Facebook sobre como ajudar os pobres


AFP
Encontro aconteceu nesta segunda-feira (29) / Foto: AFP
Encontro aconteceu nesta segunda-feira (29)Foto: AFP
O papa Francisco recebeu nesta segunda-feira (29) o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua esposa, Priscilla Chan, para falar sobre como ajudar os mais pobres, anunciou o Vaticano em um comunicado.
Os três conversaram sobre como utilizar as tecnologias de comunicação para paliar a pobreza, estimular a cultura do encontro, fazer chegar uma mensagem de esperança, principalmente as pessoas mais desfavorecidas, segundo o comunicado emitido.

Mark Zuckerberg também realizará uma conferência em uma importante universidade romana e se reunir com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi.

Em janeiro, o papa já se reuniu com outra grande nome das novas tecnologias, o CEO da Apple, Tim Cook, e com o presidente executivo do Google, Eric Schmidt.

Na mensagem por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais, o papa defendeu um "bom uso da comunicação, que ajude a sair dos círculos viciosos das condenações e das vinganças". 

sábado, 27 de agosto de 2016

Bancos: 31 cidades sem atendimento

Procon-PE deu prazo de dez dias para que instituições apresentem plano de reabertura das agências


Rafael Furtado
Já são 18 unidades fechadas e outras 13 operando parcialmente em Pernambuco
O fechamento total ou parcial de bancos que foram alvos de criminosos neste ano deixou milhares de usuários prejudicados em cidades do Interior do Estado. Segundo o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, são 18 unidades fechadas e outras 13 operando parcialmente.
Todas tiveram as estruturas comprometidas de alguma forma durante as investidas. E, diante desse quadro, o desafio é atender às necessidades da população desses municípios, fazendo com que os bancos reabram as agências.
Para isso, o Procon-PE deu o prazo de dez dias para que cinco órgãos bancários (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú) apresentem cronograma de reabertura dos espaços. Além disso, deverá ser protocolado uma lista contendo o número de estabelecimentos e caixas de autoatendimento explodidos.

Na manhã da última sexta-feira (26), o órgão fiscalizador e os banqueiros se reuniram pela primeira vez. As exigências fazem parte das primeiras medidas tomadas pela investigação do Procon, em parceria com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), com o objetivo de cobrar celeridade no restabelecimento dos serviços. Além disso, a intenção do inquérito é avaliar os prejuízos causados às comunidades, considerando a vulnerabilidade dos usuários na necessidade do deslocamentos para outras cidades.

Segundo o gerente geral do Procon, Erivaldo Coutinho, caso a instituição não apresente as informações suficientes para a investigação, poderá ser alvo de processo administrativo cabível à multas. "O município desamparado de agência fere o Código de Defesa do Consumidor porque reflete na má prestação de serviço à população. Nisso, temos a obrigação de pleitear que haja o restabelecimento do serviço e que seja sanado com a maior celeridade possível. Se as informações preliminares não forem suficientes ou entregues, caberá processos administrativos com uma possível notificação", comentou.

A Secretaria de Defesa Social (SDS) contabilizou 37 explosões em bancos, de janeiro a julho deste ano, o que representa um aumento de 32,1% se comparado com o mesmo período de 2015, com 28 ocorrências. O secretário executivo da SDS, Alexandre Lucena, ressaltou que o trabalho no combate as quadrilhas não é por meio de policiamento ostensivo e sim na força de inteligência.

"Muito se fala da reclamação de que há poucos PMs nos municípios do Interior. Mas não adianta aumentar o efetivo de agentes para confrontar um bando com 12 a 20 criminosos, arriscando a vida de inocentes. O importante é a força de inteligência, para desarticular as quadrilhas no pré ou pós investida", destacou Lucena, acrescentando que já foram presos mais de 100 assaltantes de banco.

Gerente de mercado do Banco do Brasil, Clênio Nunes disse que a intenção da instituição é reabrir as 31 agências fechadas no Estado. "A nossa intenção é não deixar o cliente desamparado. O trabalho de reabertura será feito, mas existem trâmites internos para isso. O banco também está investindo em segurança com a criação de uma central de monitoramento nacional que funciona em São Paulo", destacou. 
Aneel

Conta de luz não deve ter aumento até dezembro


Estadão Conteúdo
Megawatt-hora (MWh) está sendo comercializado atualmente por R$ 130. / Foto: freepik
Megawatt-hora (MWh) está sendo comercializado atualmente por R$ 130.Foto: freepik
A conta de luz continuará na bandeira verde em setembro, o que significa que o consumidor não terá aumento do custo da energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu na sexta (26) manter a bandeira verde no próximo mês, um indicativo de que as represas das hidrelétricas estão com bom volume e não será preciso acionar as usinas térmicas, que têm energia mais cara. Além disso, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o mesmo deve acontecer pelo menos até dezembro.

O governo muda a bandeira da conta de luz - verde, amarela ou vermelha - toda vez que as hidrelétricas não produzem o suficiente para atender à demanda. Com a seca na região Nordeste, o nível dos reservatórios caiu, o que levou o mercado a apostar na adoção da bandeira amarela em setembro. Mas, segundo o operador do sistema, a queda do consumo tem ajudado a garantir o abastecimento.
Segundo a Aneel, com exceção do Nordeste, a incidência de chuvas tem ajudado a recompor os reservatórios. Além disso, novas hidrelétricas foram incluídas no sistema. "O balanço (entre produção e consumo) está permitindo isso (manter a bandeira verde). Não vem sendo necessário despachar muitas térmicas", disse Luiz Eduardo Barata, diretor-geral do ONS.
O megawatt-hora (MWh) é comercializado hoje a R$ 130. Esse é o custo marginal de operação (CMO), definido pelo ONS. Para que seja determinada a alteração da bandeira verde para amarela, o valor deveria ultrapassar R$ 211. Quando isso acontece, o consumidor paga mais R$ 1,50 a cada 100 quilowatt-hora (kW/h), como aconteceu em março deste ano.
No Nordeste, no entanto, o cenário é crítico. Os reservatórios têm caído na proporção de 0,1 ponto porcentual a 0,2 ponto porcentual por dia e estão com apenas 20% da capacidade sendo utilizada, menos da metade do nível do Sudeste, de 47%.
Para evitar crises de abastecimento no futuro, o operador alertou a Aneel, a Chesf e o Ibama sobre a necessidade de poupar água do Rio São Francisco no reservatório da hidrelétrica de Sobradinho. A ideia é reduzir a vazão do rio de 800 para 700 metros cúbicos por segundo. De acordo com Barata, a medida seria preventiva, para evitar um total desabastecimento no futuro.

Transmissão

A hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, pode ter dificuldade de escoar parte da energia que produzirá no fim de 2017, segundo Barata. No fim do ano que vem, entrará em operação uma turbina com capacidade de 600 megawatts (MW). Para inserir essa energia no sistema e transportá-la até o mercado consumidor, uma linha de transmissão deve ser construída. Mas, em crise financeira, a espanhola Abengoa, concessionária da obra, desistiu do projeto.
A Aneel vai leiloar a linha novamente. Mas, até que a concorrência aconteça e a rede seja instalada, é possível que a usina fique descoberta por um tempo. "Dificuldades na transmissão serão um gargalo nos próximos anos", disse Barata. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Obras

Revitalização do São Francisco pode custar R$ 30 bilhões


Agência Brasil
Michel Temer assinou decreto que remodela o Programa de Revitalização da Bacia do Rio / Foto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional
Michel Temer assinou decreto que remodela o Programa de Revitalização da Bacia do RioFoto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional
Todas as ações necessárias para a revitalização da Bacia do Rio São Francisco devem demandar um investimento de cerca de R$ 30 bilhões. A estimativa consta do caderno de investimentos do novo plano gestor de recursos hídricos da bacia do rio, que está sendo finalizado este mês pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF).

A discussão em torno da revitalização do Velho Chico tomou impulso na última semana a partir do lançamento do plano Novo Chico. O presidente em exercício Michel Temer assinou decreto que remodela o Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, instituído em 2001 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na último dia 15, a Câmara Técnica do programa fez a primeira reunião e criou grupos de trabalho para detalhar as ações e os custos. Durante o encontro, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, disse que as intervenções devem custar cerca de R$ 7 bilhões em um período de 10 anos.
A apresentação do plano de ação decenal está previsto para daqui a 90 dias, mas antes desse prazo, já em setembro, o comitê deverá lançar o plano gestor da bacia, que também tem um horizonte de 10 anos. O presidente do comitê, Anivaldo Miranda, acredita que o documento vai antecipar a definição das primeiras decisões do comitê gestor e da câmara técnica.
“Nesse plano, fizemos um diagnóstico e identificamos cenários atuais e futuros para a demanda hídrica até 2035 e definimos também eixos de atuação, metas e prioridades. Vamos oferecer o plano como contribuição. A partir daí, o programa da revitalização poderá economizar tempo e dinheiro e partir para estabelecer quanto será gasto a cada ano.”
Segundo o vice-presidente da CBHSF, Wagner Soares Costa, o novo programa de revitalização cria mecanismos que permitem ter maior controle das ações. “A grande novidade foi a criação do comitê gestor, que vai estabelecer o monitoramento das ações em implantação. Hoje, o que se sabe é que há muitas ações inacabadas e não iniciadas. O que se quer daqui para frente é que a ação comece, se desenvolva e tenha um término com data definida. Com isso, se materializa o resultado esperado da ação.”
Na lista dessas ações anteriores, estão obras de esgotamento sanitário e de abastecimento de água, que somam investimentos de R$ 1,1 bilhão. O plano Novo Chico absorveu essas obras e colocou a estimativa de término delas para 2019.
Segundo o presidente do comitê, os R$ 30 bilhões em investimentos para a recuperação da bacia do São Francisco deverão ser a soma de todos os recursos destinados pelos governos federal, estaduais e municipais e também pela iniciativa privada. 
“O programa da revitalização não pode ser entendido como programa do governo federal, mas como programa da União, dos estados da bacia, das prefeituras e inclusive da iniciativa privada. É um novo programa que tem que envolver toda a sociedade, todos os usuários da água e todo o Poder Público num esforço conjunto para vencer esse desafio.”
De acordo com Costa, o levantamento das ações necessárias para a revitalização do Rio São Francisco envolvem, entre outros, a recuperação de áreas degradadas, a recomposição de matas ciliares e a implantação de saneamento básico em todos as cidades que compõem a bacia do rio (são 507, no total).
Além do saneamento, ele aponta que é prioritário recuperar áreas degradadas para que voltem a absorver águas pluviais. Com isso, haveria uma recarga dos lençóis freáticos e a melhora das nascentes. A Bacia do Rio São Francisco envolve os biomas da Caatinga, da Mata Atlântica e do Cerrado. Para o vice-presidente da CBHSF, essa questão faz parte de uma nova visão sobre os recursos naturais.
“Um dos motivos da degradação sempre é a antropização, com a ocupação do solo de maneira desordenada. Para degradar, nós gastamos muito dinheiro. Para recuperar, teremos também que gastar muito dinheiro, pois tivemos uma mudança no sentido econômico do uso dos bens naturais. De 20 anos para cá, essa conscientização veio mais forte e está sendo transformada em ações para que tenhamos os resultados de recuperação.”
Nesse sentido, ele indica que a iniciativa privada, onde estão alguns dos grandes usuários das águas do São Francisco, participem de perto do plano de revitalização do rio.

Conceito

Neste primeiro momento de funcionamento do programa, Anivaldo Miranda alerta para a necessidade de se firmar um conceito de revitalização. Para ele, é preciso tomar cuidado para não confundir oferta com demanda de água.
“Revitalização tem que ser entendida nesse momento como um conjunto de investimentos cujo foco é oferta de água, de melhorar a quantidade e a qualidade da água. É claro que, ao fazer o programa de revitalização, é preciso compatibilizá-lo com outras agendas, como saúde, indústria e economia em geral. São agendas que avançam paralelamente, mas as agendas da revitalização precisam ser conceituadas de forma precisa.”
Dentre as atividades que demandam mais água do rio São Francisco, está a transposição, que vai levar água do Velho Chico para Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e uma parte de Pernambuco. Para Miranda, a obra é um motivo a mais para acelerar a revitalização, somado a expansão de outros projetos econômicos que vão exigir mais água do rio.
“Os estados que vão se beneficiar com os canais da transposição agora começam a fazer parte da grande família do São Francisco – para o bônus e para o ônus. Isso significa que o programa de revitalização passa a ser de interesse direto desses estados. É um grande motivo para unir todas essas forças para tornar esse programa de fato realidade.”
* Colaborou Sumaia Villela, do Recife